terça-feira, 1 de março de 2011

TESTEMUNHOS Liberto do Homossexualismo


TESTEMUNHOS
Liberto do Homossexualismo
TESTEMUNHO MAURÍCIO FREIRE

Um testemunho incrível!!!


Quando meus pais se casaram, eles eram evangélicos e pertenciam a uma denominação muito rígida e doutrinária. Pouco tempo depois do casamento, meu pai começou a beber e se desviou da igreja. A bebida o transformou em um homem violento e com isso minha mãe passou a sofrer maus tratos nas mãos dele. Não demorou muito e minha mãe também acabou se desviando da igreja.

Com o passar dos anos, os filhos foram nascendo e quando minha mãe ficou grávida de mim, ela já tinha 5 filhos e minha família estava passando por sérios problemas com meu pai, por esse motivo minha gestação foi rejeitada por minha mãe que não queria mais um filho pra sofrer.

Nasci no dia 7 de maio de 1972. Nessa época minha família estava totalmente destruída e quando eu estava com dois anos meus pais se separaram por iniciativa da minha mãe, que não agüentava mais a vida que estava levando.

Então, minha mãe alugou um quartinho num cortiço muito feio onde havia várias casas de um cômodo e um banheiro comunitário para todas as famílias. Ali fomos morar, minha mãe, eu, meu irmão (que é dois anos mais velho que eu) e duas irmãs. Meus dois irmãos mais velhos ficaram morando na casa da minha avó materna, com meu pai. Enquanto minha mãe trabalhava, minhas irmãs que eram um pouco mais velhas (uma tinha 10 e a outra 12 anos) tomavam conta de mim e do meu irmão.

Como eu não estava acostumado a ficar sem a minha mãe, eu chorava muito e por esse motivo passei a ser humilhado pelos vizinhos e também por meus irmãos que me chamavam de chorão, mocinha, florzinha, e até de bichinha, tudo isso aos três anos de idade. Sem saber, meus irmãos e até minha mãe deram legalidade para que alguns demônios começassem a atuar em minha vida. Também passei a ser vitima de violência doméstica, pois meus irmãos não sabiam como lidar com a minha situação e então me batiam muito e apanhar passou a fazer parte da minha rotina.

Ali naquele lugar havia uma vizinha que sempre brigava com uma das minhas irmãs e eu era usado por ela para afrontar minha irmã, então ela me batia, me puxava pelos cabelos e me xingava com o objetivo de atingi-las. A mãe dessa vizinha era mãe de santo e um dia um encosto que se apoderou dela, disse que havia uma imagem de um demônio enterrada no meio da nossa casa e por isso a filha dela e minha irmã viviam em pé de guerra.

Num sábado eu acordei e a casa estava cheia de gente e havia um grande buraco embaixo da mesa, minha mãe estava segurando uma imagem de um demônio chamado "tranca rua". Esse demônio foi achado enterrado em nossa casa.

Como naquele lugar só havia um banheiro para todas as famílias, era comum colocar as crianças para tomarem banho juntas e às vezes no meio do banho algum adulto entrava no banheiro alegando estar com pressa. Foi nessa época que eu passei a ser vitima de abuso sexual por parte de outros garotos e também adultos. Essa situação passou a ser comum em minha vida, pois sempre aparecia alguém para abusar de mim. Eu sempre ouvia das pessoas que abusavam de mim que aquele era um segredo e que se eu contasse pra alguém eu iria apanhar, então eu sempre ficava quieto.

Um dia, estávamos eu e minha mãe em casa quando eu falei algo que tinha ouvido durante um dos momentos que fui abusado, no mesmo instante minha mãe pegou um sapato e bateu na minha boca. Na hora eu associei aquela atitude com o que me falavam sobre contar pra alguém e apanhar, então eu me calei de vez. Talvez esse tenha sido um pedido de socorro, e ela não entendeu. Minha mãe sempre nos amou muito, porém ela achava que aquela era a forma correta de se educar uma criança.

Quando eu estava com quatro anos, minhas irmãs começaram a trabalhar, e minha mãe passou a deixar meu irmão e eu na casa de uma senhora que cuidava de crianças. Naquela casa funcionava um centro de macumba e ali eu também fui vitima de abuso sexual e violência por parte dos filhos da dona da casa. Eu e meu irmão dormíamos no local onde eram feitos os rituais junto com mais dois meninos.

Enquanto todas as crianças brincavam, eu e meu irmão passávamos boa parte do dia debruçados no muro perguntando para as pessoas que passavam na rua se aquele dia era sábado, porque era no sábado a tarde que minha mãe ia nos buscar para passarmos o final de semana com ela e com minhas irmãs. Sempre que alguém dizia que não era sábado e que ainda faltavam alguns dias para chegar o sábado, nós chorávamos muito. Eu vivi naquele lugar alguns dos piores dias da minha vida.

Ficamos ali pouco tempo, pois uma das minhas irmãs logo saiu do trabalho e numa terça-feira passou para nos levar com ela. Meu coração parecia que ia explodir de tanta alegria.

Pouco tempo depois meu irmão começou a estudar e minha situação ficou um pouco pior do que era, pois quando minha irmã ia levá-lo a escola eu ficava trancado em casa, sem comida e chorando ou ficava aos cuidados dos vizinhos que sempre me maltratavam.

Certo dia apareceu um rapaz em casa dizendo que era meio parente nosso, e suas visitas passaram a ser constantes. Ele conquistou a confiança da minha irmã e começou a se oferecer pra cuidar de mim enquanto minha irmã ia levar meu irmão à escola. Aproveitando-se que minha irmã sempre demorava muito pra voltar pra casa, ele também começou a abusar de mim e isso passou a acontecer com freqüência, muitas vezes ele nem esperava minha irmã voltar e me deixava sozinho.

Quando nós nos mudamos daquele lugar, fomos morar justamente no mesmo quintal onde o tal rapaz morava. Ali tudo ficou mais fácil pra ele, pois agora éramos vizinhos de parede. Esse novo lugar já era um pouco melhor pra se morar, ali o quintal era cimentado e tinha 2 banheiros para as famílias.

Logo que nos mudamos pra esse lugar, minha mãe começou a freqüentar um centro de macumba de uma prima do meu pai e sempre que íamos lá, os demônios que se manifestavam ali diziam que eu era muito especial pra eles e nessa época eu acabei sendo consagrado a eles.

Quando eu estava com sete anos, meus irmãos mais velhos vieram morar com a gente. No começo eu pensei que minha vida iria melhorar, pois eu teria a proteção deles, porém não foi bem isso que aconteceu, pois meu irmão mais velho que estava com dezenove anos já era um viciado no álcool e também havia se tornado muito violento. Nossos dias passaram a ser mais difíceis do que já eram. Passamos a apanhar do meu irmão por qualquer motivo e nunca podíamos falar nada para a minha mãe ou para meu outro irmão, caso contrário apanhávamos mais ainda no dia seguinte.

Quando minha irmã mais nova completou quatorze anos, ela fugiu de casa para se casar, pois não agüentava mais tanto sofrimento e minha mãe temendo o pior a emancipou e ela se casou em janeiro de 1979.

Com doze anos eu já sabia no que eu havia me tornado, já tinha noção do certo e do errado, pois nessa época eu comecei a procurar outros homens para ter relação, sabia que eu era um homossexual, só não admitia por medo, já que sempre ouvia falar muito mal dos homossexuais. Foi nessa época também que um senhor me pediu para ajudá-lo a carregar alguns pacotes até sua casa e quando chegamos lá ele tentou me estuprar. Fui salvo por dois "amigos" que desconfiaram das intenções deste senhor, e nos seguiram e bem na hora apareceram na janela me chamando. Um deles espalhou o que viu no bairro e mais uma vez eu passei a ser motivo de gozação das pessoas. A humilhação foi tanta que eu passei a freqüentar um bairro vizinho, onde arrumei uma namoradinha só pra entrar pra turma.

Aos treze anos eu comecei a trabalhar em uma empresa que sempre prestava alguns serviços no centro de São Paulo e ali eu comecei a ter contato com outros homossexuais e comecei a achar tudo muito normal. Um tempo depois ingressei no ramo da moda onde comecei a participar de desfiles como modelo.

Quando eu tinha quinze, minha mãe se mudou de onde nós morávamos e foi morar com meus irmãos e minha irmã na zona leste e eu fui morar no centro. Abandonei meus estudos e aluguei um quarto no apartamento de um senhor que também alugava vagas para garotos de programa. Fiquei ali durante alguns meses e foi tempo suficiente para eu ter contato com a podridão do mundo homossexual. Agora eu estava exatamente onde os demônios que atuavam na minha vida queriam. Comecei a fazer alguns trabalhos como modelo e passei a receber propostas de sexo em troca de passar nos testes. No começo eu recusei, mas depois fiz amizade com alguns garotos de programa e eles me convenceram de que fazendo programa, eu não seria taxado de homossexual, já que eu poderia usar a desculpa de que eu era só garoto de programa e não homossexual, então passei a fazer essa troca, até que depois eu não queria mais fazer testes e sim o trabalho direto, depois passei a não querer trabalhar e sim o cachê. Comecei a me prostituir nas ruas do centro e as vezes até anunciava em jornais.

Minha família e meus amigos não sabiam de nada da minha vida, eles sempre me viam como um bom rapaz, um trabalhador responsável, eu sempre ajudava minha família e mesmo fazendo programas, eu ainda fazia uns bicos como modelo para justificar o dinheiro que entrava e também as minhas saídas. Eu era também muito mentiroso, afinal eu tinha que viver inventando histórias para justificar a vida que levava.

Com o tempo eu passei a usar drogas e a beber com meus amigos, mas isso era só para fazer parte da turma e não ser rejeitado, pois havia em mim um espírito de rejeição que atuava nesse sentido. Esse espírito de rejeição também me fazia ser soberbo e com isso eu comecei a desprezar meus irmãos e a me sentir superior a eles. Comecei a me achar melhor do que todo mundo. Eu era o mais bonito, o mais legal, o mais inteligente, enfim o mais tudo. Tinha mania de perfeição e tratava meus irmãos e alguns amigos com certa inferioridade e com arrogância.

Aos dezessete anos tive problemas no lugar onde estava morando e então fui passar um tempo na casa da minha mãe. No período que estive lá, meu pai voltou a morar com minha mãe, pois não tinha onde morar e estava vivendo como um mendigo, sempre jogado de um lado para o outro. Durante o tempo em que fiquei na casa da minha mãe, eu briguei muito com meu pai e com meu irmão mais velho, o que me levou a ir embora outra vez. Então em 1990 eu voltei a morar no centro e pouco tempo depois meu pai abandou o vicio do álcool.

Aos dezenove anos fui convidado para posar nu para uma revista direcionada ao público homossexual e passei a usar isso como um trunfo a meu favor para vender minha imagem como garoto de programa.

Tive vários relacionamentos homossexuais, porém nunca fui feliz em nenhum deles, sempre me faltava algo. Era como se a pessoa com quem eu me relacionava levasse um pedaço de mim depois da relação. Eu me envolvia com outros homens e muitas vezes depois da relação eu não queria vê-los na minha frente. Não conseguia entender o que se passava comigo, algumas vezes eu até humilhava a pessoa depois da relação.

Me envolvi com homens casados, com homens famosos, com religiosos, enfim eu não perdia a oportunidade de ter sexo.

Um tempo depois que posei nu, resolvi dar um tempo com a prostituição, pois comecei a receber convites para participar de muitos eventos e achei que não seria legal se as pessoas soubessem da vida que eu levava, então em 1992 eu comecei a trabalhar numa companhia de teatro. Nessa companhia eu também me envolvi com macumba e sempre estava no meio de sessões que eram realizadas na casa de algumas pessoas que trabalhavam lá. Por várias vezes eu me consagrei a pombas gírias, usando seus perfumes e objetos que elas têm como marca na vida de pessoas que as seguem. Em 1998 eu saí da companhia de teatro e comecei a trabalhar em emissoras de TV.

Nessa fase da minha vida eu fiz amizade com muita gente famosa e trabalhei como produtor artístico de grupos musicais. Fui produtor de TV, fiz assessoria para artistas, trabalhei em gravadora e de vez em quando ainda me prostituía quando a situação apertava.

No final de 1999 eu me envolvi com um homem bem mais velho que eu e fui morar com ele em sua casa. Eu tinha repulsa daquele homem, porém ele me bancava e por um tempo eu o aturei. Em fevereiro de 2000 eu fui para a Europa com esse homem e pensei seriamente em abandoná-lo lá. Em março do mesmo ano eu resolvi dar um fim nesse relacionamento e por isso passei a sofrer uma perseguição por parte desse homem.

Comecei a não ver sentido na minha vida e passei a perceber que algo estava errado, afinal eu era infeliz, tinha vários "amigos" e me sentia sempre só, vivia em festas badaladas e chiques onde muitas pessoas dariam tudo pra estar e quando eu chegava em casa a solidão e o vazio tomavam conta de mim. Numa noite que cheguei em casa depois de uma balada, comecei a falar com Deus e disse que se aquela era a vida que Ele tinha pra mim, então que Ele me ajudasse a ser feliz, porque eu não era. Pedi a Ele uma pessoa que me amasse de verdade e que eu também a amasse sem interesses, agora se aquela vida não fosse o que Ele queria pra mim, então que Ele mudasse minha história. Passei a conversar com Deus todas as noites pedindo a mesma coisa.

No mês de outubro do mesmo ano eu fui chamado pra participar da gravação de um comercial na praia e no meio dos modelos tinha um rapaz que chamava a atenção das pessoas por ser muito bonito. Num momento de pausa eu me aproximei desse rapaz e começamos a conversar. O nome dele é Luiz e uma das primeiras coisas que ele me perguntou foi se um amigo que estava comigo era meu namorado. Achei estranha a pergunta, mas disse a ele que não, que era apenas um amigo, então ele disse ainda bem porque você é um cara bonito e me perguntou se eu era gay, fiquei meio sem jeito, mas respondi que sim. Então ele olhou nos meus olhos e disse: "Meu sai fora dessa, Jesus te ama e Ele não aprova essa vida não". Confesso que fiquei meio chocado quando ele me falou aquilo, afinal eu achava que ele estava me paquerando. Mas ele não se intimidou e continuo falando de Jesus. No começo cheguei a pensar que ele estava pecando, pois falava de Jesus com muita intimidade e eu sempre ouvia falar que Jesus não gostava disso e não aprovava aquilo e que Jesus castigava, mas ele me falou de Jesus como se fosse o melhor amigo dele, então eu me interessei por esse Jesus.

Mesmo sabendo que eu era homossexual o Luiz se tornou meu melhor amigo e ele não perdia a oportunidade de me falar do amor que Jesus tinha pela minha vida. Por várias vezes ele me convidou pra ir à igreja com ele, mas eu nunca ia, sempre arrumava uma desculpa e eu sempre o convidava para ir às festas que eu organizava e ele ia. Algumas vezes eu arrumei trabalhos de modelo para ele e ele acabou se desviando da igreja, mas não deixou em momento algum de falar de Jesus pra mim.

Sem que ninguém soubesse, eu visitei algumas igrejas, mas não me senti bem em nenhuma, parecia que o meu caso não tinha jeito e eu já estava conformado com minha situação, achava mesmo que Deus tinha me criado homossexual.

Em junho de 2003 eu acompanhei a parada do orgulho gay de São Paulo e no trajeto eu vi coisas que me fizeram ter vergonha do que eu era, então mais uma vez eu cheguei em casa muito chateado e disse pra Deus que eu não queria mais aquela vida e pedi a Ele em nome de Jesus que me desse algum sinal de que aquela não era a vida que Ele queria pra mim. No mesmo mês eu fui visitar meus pais na cidade de Indaiatuba no interior de São Paulo e num domingo eu estava limpando um terreno que nós tínhamos, quando um vizinho chamado Saulo e que mora em frente a esse terreno se aproximou e começou a me contar o testemunho de um Pastor que tinha sido um travesti, quando ele começou a falar achei que era mais um historia de crente, mas quando ele contou alguns detalhes eu percebi que conhecia o tal Pastor da época que ele era travesti, não tive dúvidas, cheguei em casa e disse pra Deus que se ele tinha feito aquilo na vida da Paulete (esse era o nome do Pastor quando ele era travesti) então o meu caso era mais simples, porque eu não era um travesti.

Em novembro eu acompanhei um amigo meu a uma reunião de negócios e durante essa reunião surgiu o assunto igreja, não sei porque, mas me senti muito atraído por esse assunto naquele dia. No final do mês eu fui pra Dourados no Mato grosso do Sul para dar aulas para modelos e em janeiro de 2004 eu voltei a São Paulo com uma modelo para acompanharmos os eventos de moda e nesse período, nós ficamos hospedados no apartamento desse amigo que havia me levado a reunião e ele me falou que estava freqüentando uma igreja muito boa. Então eu disse a ele que a igreja devia ser boa mesmo ou então que deveria ter alguém muito interessante lá pra ele estar freqüentando. A convite desse amigo eu fui conhecer a igreja e quando eu entrei lá o grupo de louvor estava cantando o louvor PRECISO DE TI, e Deus falou tanto comigo através desse louvor que eu sai dali maravilhado com o que tinha ouvido. No dia seguinte eu encontrei o Luiz e contei pra ele que tinha ido à igreja e falei também do louvor e da maneira como fui tocado. O Luiz ficou tão feliz com o que falei e pra minha surpresa ele tinha um CD com aquele louvor no carro e colocou pra nós ouvirmos, mais uma vez fiquei encantado com o louvor, nunca tinha ouvido nada tão lindo.

No domingo seguinte, dia 15 de fevereiro, fui novamente à igreja e de novo o grupo de louvor cantou PRECISO DE TI, senti claramente que aquilo era pra mim e no final do culto quando o Pastor Walter Brunelli fez o apelo eu não tive dúvidas, levantei minha mão direita e aceitei Jesus como meu Único e Suficiente Salvador. Não me lembro de ter tido tanta certeza de algo como tive aquele dia. Meu amigo Luiz nem acreditou quando soube do acontecido, ele ficou muito feliz e nesse dia eu tive a certeza de que ele era mesmo meu amigo e que Deus o tinha colocado em meu caminho.

No final de semana seguinte eu tive que voltar pra Dourados, pois iria começar o meu curso para modelos. E lá eu tive um comportamento pior do que antes. Parecia que eu tinha me transformado em um ninfomaníaco e só pensava em sexo. Fazia as minhas barbarias e ainda dizia para as pessoas que eu era crente. Na verdade eu não havia me convertido e sim me convencido. Fiquei no Mato Grosso do Sul dando aulas em algumas cidades durante um ano e em dezembro de 2004 eu voltei a São Paulo.

Logo que cheguei a São Paulo fui para o interior passar uns tempos na casa dos meus pais e decidir o que faria da minha vida, foi então que no dia 2 de janeiro de 2005 eu recebi um telefonema da mãe de uma das minhas alunas que estava trabalhando para uma agência de modelos no Rio de Janeiro por indicação minha. No telefonema ela me relatou alguns absurdos que estavam acontecendo lá com todos os meus alunos e me pediu para trazê-los para São Paulo.

Apesar da vida que eu levava, nunca desrespeitei nenhum de meus alunos, pelo contrário eu sempre os protegia e os alertava sobre a exploração sexual no meio artístico, por esse motivo eu era muito querido por eles. Além do mais eles nunca souberam nada da minha vida, pois eu mentia muito bem.

Com a ajuda de um amigo eu consegui alugar 2 apartamentos em um Flat no centro e trouxe meus alunos que estavam no Rio para morarem aqui, então coloquei algumas meninas em um apto, os meninos em outro e duas meninas ficaram com a mãe de uma delas em outro apto que ela comprou no mesmo prédio.

No dia 8 de fevereiro eu saí de casa com a intenção de acompanhar uma banda de carnaval que sairia desfilando pelo centro de São Paulo. Nessa banda acontece de tudo o que não presta: sexo, drogas, bebidas, prostituição e vandalismo dos mais absurdos. Mas naquele dia Deus tocou em meu coração e eu acabei ligando na casa do irmão Alaim, que eu havia conhecido um ano antes na igreja. Ele não estava em casa e quem me atendeu foi a esposa dele, então eu perguntei a ela se iria ter culto na igreja aquele dia já que era uma terça-feira de carnaval e ela disse que sim, então confirmei o endereço com ela e fui até a igreja. Quando cheguei lá fiquei muito feliz, pois fui muito bem recebido e uma das irmãs ainda perguntou do meu amigo que havia me levado lá um ano atrás. Achei aquilo muito legal, afinal eu só havia ido àquela igreja 2 vezes e depois não apareci mais. Me senti amado naquele dia, mas um amor verdadeiro. Depois do culto fui conversar com o Pastor e contei a ele um pouco da minha história, mas não falei nada sobre a minha homossexualidade, pois fiquei com medo.

Na mesma semana eu encontrei o meu amigo Luiz e pra minha alegria e honra e glória de Deus ele havia voltado pros caminhos do Senhor e parte de sua família também havia se convertido.

Passei a freqüentar todos os cultos, larguei aquela vida mundana de pecados e comecei a me dedicar às atividades da igreja. Um dia eu comecei a sentir uma dor muito forte nas minhas costas e fui conversar com o Pastor a respeito dessa dor, então ele me disse que sabia o porquê da dor, mas que ainda não poderia me falar sobre o que se tratava, ai ele me pediu pra eu meditar nos capítulos 1 e 6 de ROMANOS. Fiz o que ele me pediu e comecei a entender o porquê da dor.

Alguns dias depois eu procurei o Pastor Ricardo que é líder dos jovens e contei pra ele um pouco da minha historia com alguns detalhes, inclusive sobre minha homossexualidade e disse a ele que eu estava liberto. Achei que ele fosse me colocar pra correr dali, afinal de contas se no mundo eu já não era bem aceito, imaginei que numa igreja Assembléia de Deus eu fosse ser escorraçado. Mas aconteceu o contrário, ele segurou em minhas mãos, disse que estava muito feliz com a minha libertação e com minha atitude e orou por mim. Depois dessa confissão o Pr. Walter disse que já podia me falar o porquê daquela dor nas costas e me revelou que eu havia sido liberto de um espírito maligno (pomba gíria) que me levava a agir da forma como eu agia, disse que esse espírito maligno foi arrancado das minhas costas e quando isso aconteceu ele me feriu espiritualmente. Não tive dúvidas da minha libertação e Deus abençoou muito a minha vida quando eu me firmei na igreja e nos caminhos dEle.

Já fazia algum tempo que eu estava desempregado e sem registro em carteira, mas Deus supriu todas as minhas necessidades e sempre que eu pensava que ia passar algum aperto financeiro, Deus usava algum irmão da igreja e até mesmo gente de fora pra me abençoar. Não demorou muito e todos os meus alunos (eram 8 no total) que moravam comigo também aceitaram a Jesus em suas vidas.

Minha casa se transformou num paraíso, só se ouvia louvores o dia todo e só se fala de Deus.

Em junho do mesmo ano Deus abriu uma grande porta de trabalho pra mim e Ele tem me honrado e me abençoado todos os dias nesse trabalho, a ponto das pessoas que trabalham comigo sempre me perguntarem o que eu tenho de tão especial.

Em agosto de 2006 Deus nos deu a oportunidade de gravarmos o 1º CD e o DVD da nossa igreja nesse lugar onde eu trabalho que é um lindo teatro, e esse mesmo teatro foi o lugar que Deus escolheu para me abençoar com o meu casamento. Me casei em 12 de maio de 2007 com uma verdadeira serva de Deus num teatro onde muitos artistas sonham em se casar, mas Deus só abriu essa porta pra mim. Meu casamento estava uma benção, mas ainda sentia que alguma coisa não estava muito bem, então em outubro de 2008 eu fui a um retiro espiritual, onde passei por mais um processo de libertação e também onde foram reveladas a mim as maldições que estavam na minha vida desde o ventre da minha mãe. Hoje estou totalmente liberto, sou um homem feliz, bem casado e servo de um Deus que é fiel a quem o busca de verdade.

Para cada dia em que eu vivi na vergonha, o Senhor tem me dado dupla honra.

Hoje eu e minha esposa Erika estamos vivendo as promessas de Deus para nossas vidas. Somos responsáveis por um grupo de intercessão em nossa igreja, também somos os coordenadores de um culto de oração e somos vice-líderes do grupo de jovens. Sei que o melhor de Deus ainda está por vir, por isso agradeço a Deus todos os dias por tudo o que ele tem feito em minha vida. Meu passado embora seja vergonhoso, hoje serve pra eu honrar e glorificar o nome do Senhor e também mostrar para as pessoas que Deus é maravilhoso e que Ele jamais desampara aqueles que o buscam com sinceridade.

A Deus sejam dadas todas as glórias pela transformação da minha vida.

Maurício Freire

Fonte: Portal Bereana - http://www.portalbereana.com.br/